Tesouro Selic

26
Julho / 2021

Tesouro Selic

Há um ano, todo mundo falava para colocar a reserva de emergência em Tesouro Selic, e agora tem gente falando que ele pode dar prejuízo ou ficar igual à poupança. Ainda faz sentido ter minha reserva nesse produto?

Há um ano, todo mundo falava para colocar a reserva de emergência em Tesouro Selic, e agora tem gente falando que ele pode dar prejuízo ou ficar igual à poupança. Ainda faz sentido ter minha reserva nesse produto?

O risco do instrumento (título) associado ao Tesouro Selic é de o emissor não honrar o pagamento no vencimento; esse risco (do não pagamento das emissões em moeda local) é muito baixo conforme métricas de risco tradicionais.

E, por ser um título pós-fixado (remunerado pela Selic), o instrumento propicia um nível de risco de mercado menor que o de outros títulos também emitidos pelo Tesouro, como aqueles que possuem taxas pré-fixadas. Isso decorre do fato de que o valor dos títulos públicos pré-fixados é inversamente proporcional à taxa de juros.

 

Quando a taxa pré-fixada sobe, o preço do título cai e vice-versa. A liquidez se traduz na capacidade do titular de vender o ativo sem grandes descontos, que se traduziriam em perdas.

 

Com base em outros aspectos citados na pergunta, observa-se que o eventual prejuízo no curto prazo nesses instrumentos decorre do fato de que há, na precificação desses títulos, uma taxa negocial pré-fixada complementar à taxa Selic (que remunera o título), que se chama “ágio” quando essa taxa é negativa, e “deságio” se positiva.

 

Em momentos de maior volatilidade e incerteza, no cenário externo ou interno, pode ocorrer um aumento no deságio dos instrumentos associados ao Tesouro Selic, o que, combinado com uma taxa Selic baixa (verificada atualmente), pode acarretar perdas no curto prazo nesse tipo de título.

 

Na prática, quem aplicou em Tesouro Selic com vencimento em 1º de março de 2021 no dia 24 de setembro de 2020 iria obter até o vencimento, além da taxa Selic, uma taxa pré-fixada de 0,05% ao ano. Já no dia 7 de outubro de 2020, para o mesmo instrumento (título) com mesmo vencimento, a taxa pré-fixada era de 0,16% anuais.

 

Ou seja, em menos de dez dias úteis, a parcela de taxa pré-fixada sofreu aumento superior a 200%. Como a apropriação da taxa Selic nesse período foi inferior à variação das taxas pré-fixadas (que atuam de forma inversa ao preço do título), a aplicação registrou desvalorização e, se houve o resgate dessa aplicação, realizou-se um prejuízo.

 

É importante destacar que o registro da perda contábil decorrente da marcação a mercado só se torna prejuízo quando há o resgate. Até então, é apenas registro contábil.

 

Quanto à rentabilidade, a aplicação em Tesouro Selic, mesmo no atual cenário, é superior à da poupança. A regra de remuneração da poupança que se iniciou em maio de 2012 estipula que o seu rendimento (para taxa Selic igual ou inferior a 8,5%, situação atual) é de 70% da Selic.

 

Já no Tesouro Selic, a taxa é de 100% da Selic somada a alguma taxa pré-fixada, portanto a aplicação é mais rentável. Isso mesmo se considerada a atual alíquota máxima prevista na tabela regressiva de tributação, incidente nas operações de títulos de renda fixa.

 

A alocação da reserva de emergência em Tesouro Selic continua respeitando a racionalidade alocativa, baseada em risco, retorno e liquidez.

 

Mauro Torres é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejadores Financeiros

 

E-mail: maurotorres_cfp@outlook.com

 

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

 

Saiba mais: https://valorinveste.globo.com/blogs/consultorio-financeiro/post/2021/07/ainda-faz-sentido-investir-a-reserva-de-emergencia-no-tesouro-selic.ghtml

 

Fonte: Valor Investe