Vale a pena financiar um imóvel com: Selic 4,25%?

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Junho / 2021

Vale a pena financiar um imóvel com: Selic 4,25%?

No entanto, com a Selic seguindo o caminho inverso e partindo para uma temporada de altas que poderá chegar a 6,25% até o fim do ano, os bancos tendem aumentar as taxas. Por consequência, o financiamento se torna mais caro. Para quem quer comprar imóvel a prazo, a janela de oportunidade, como dizem os especialistas, está quase se fechando.

Quando há uma alta nas taxas de financiamento, ainda que pequena, o custo do crédito de longo prazo se torna bem maior, as parcelas mais salgadas e acaba caindo também o poder de compra do consumidor.

Mas, de acordo com o presidente da plataforma de crédito imobiliário Credihome, Bruno Gama, os bancos ainda possuem boas margens para trabalhar com taxas historicamente baixas como vemos agora. Por isso, mesmo que essa seja a terceira alta, ainda há espaço para manter o ambiente competitivo.

"Essa alta da Selic, que agora está em 4,25%, ainda não deve gerar um repasse para as taxas de crédito imobiliário, uma vez que os bancos ainda têm margens (spreads) boas e suficientemente saudáveis. Além disso, a competição nesse mercado está alta entre os principais bancos de varejo, já que o crédito imobiliário é utilizado como ferramenta de fidelização da base de clientes", afirma.

 

 

 

"São vários fatores que contribuem para esse crescimento na concessão de crédito, que estimamos que pode chegar a 34% até o fim do ano. Entre eles você tem o déficit habitacional, juros mais baixos e a poupança das famílias que aumentou na pandemia e permite uma entrada ou a compra de um imóvel mais caro", afirma.

 

 

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) Luiz França defende que, apesar de a Selic estar em alta, o setor imobiliário ainda deve ser visto como atrativo. Não apenas para financiamento, mas também para investir, uma vez que as aplicações tradicionais de renda fixa continuem com rentabilidade historicamente baixa.

 

A demanda pelo crédito imobiliário, a briga dos bancos por essa clientela, fez surgir novas linhas de financiamento. Além das tradicionais linhas corrigidas pela Taxa Referencial (hoje em zero), ganharam força o financiamento com outros indexadores como a inflação IPCA e o rendimento da poupança.

As novas linhas costumam oferecer juros fixos muito menores, mas também implicam em mais risco com a variação dos juros básicos e da inflação. Por isso, é importante que o consumidor fique atento ao cenário na hora escolher o seu financiamento.

O co-fundador do Minha Casa Financiada Vinícius Motta lembra que com a alta da Selic, cresce também a rentabilidade da poupança saindo de 2,45% para 2,98% ao ano. Isso vai deixar as parcelas dessas linhas mais caras. "As taxas estavam muito chamativas, com Selic a 2%. Agora sobem para taxas maiores, sendo melhor para o cliente voltar a usar as taxas atreladas à TR", diz.

Mesmo que a janela esteja parecendo se fechar, vale ter paciência e avaliar bem na hora de assinar uma dívida de muitas décadas, como costuma ser o caso do financiamento imobiliário. Isso porque, como Motta sugere, o mercado imobiliário pode sofrer uma retração, agora que a Selic torna as aplicações de renda fixa um pouco melhores.

"Tudo depende do objetivo de que produto a pessoa quer. Se estivermos falando de um produto de construção financiada, sempre será melhor financiar do que alugar ou investir. Já para imóveis prontos e usados, existem outros fatores que podem fazer com que o cliente ache produtos melhores no mercado para aportar seu capital, sendo que o sonho da casa própria é o que permeia o mercado brasileiro", afirma.

Fonte: Valor Investe

Saiba mais: https://valorinveste.globo.com/produtos/imoveis